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sexta-feira, 29 de novembro de 2013





                                  PERDOAR É BOM
        ESQUECER É MELHOR AINDA
   
    Uma das virtudes mais difíceis e nobres de se exercitar é o perdão.
    Palavra bonita, enaltecedora, mas só até que tenhamos algo para perdoar.
    Como é difícil...e esquecer mais ainda. 
    O orgulho e a vaidade nos fazem reféns, pois preferem o sofrimento à remissão.
    Talvez a inclinação ao perdão seja um dos indicadores mais importantes da força espiritual, do poder de anular sentimentos de discórdia, e portanto da qualidade de quem o faz.


    Por um lado, se somos praticantes de um erro, envolve uma situação de pesar e arrependimento ao assumirmos. Se passivos de alguma injustiça, temos  uma sensação de ofensa. A ponderação dessas variáveis convergindo ao perdão implica em uma das atitudes éticas mais complexas e nobres da nossa cultura.
    A exemplo de Jó, personagem do Velho Testamento, vemos uma história de devastação pessoal por acontecimentos negativos quase que intoleráveis pelos limites da condição humana. Mas preservando a sua fé, conseguiu esquecer as provações, e recuperou tudo em dobro por providência divina. É como se ele “perdoasse” DEUS, num conceito laico, aceitando todo o terrível embate com resignação e confiança, valorizando seus preceitos religiosos acima de tudo.
    Na cultura moderna, a atitude de perdoar é mais complicada. Denota uma transformação dos conceitos e  normas adotados para práticas positivas, no intuito de apagar toda a injúria emocional , sem ficar qualquer ressentimento.


    De qualquer forma, o perdão só existe pelas mãos de quem perdoa, mesmo que o agressor não mereça esta dádiva. É um processo de mão dupla, natural nas instâncias atuais, entre pessoas que convivem e passam por momentos que predispõem a  situações de insulto físico ou verbal (colegas de trabalho, amigos, cônjuges, familiares, passantes e outros).
    Não deixa de ser uma conquista contemporânea, um avanço na prática dos bons valores e virtudes, que antigamente estava atrelado à intermediação divina, apenas. O homem é capaz de elaborar esta depuração de sentimentos por decisão própria.
    Sem sinceridade não há perdão. Da boca para fora não tem sentido. Vem de dentro, e com intenções definitivas.



    Na sequência histórica, percebe-se que a forma com que o perdão acontece, foi se aperfeiçoando. Nas várias culturas e religiões, do ponto de vista evolutivo a visão sobre isso é distinta uma da outra, por exemplo:
  - o Budismo repudia os conceitos de pecado e culpa. A raiva e o ressentimento são ilusões que se dissipam por meditação;
  -no Islamismo reconciliar-se é desejável, mas não necessário. Quem perdoa faz isso para receber perdão de seus pecados por Alá;
  -no Cristianismo, em específico o catolicismo, um dos belos exemplos de responsabilização pelos erros da Igreja (ou dos homens que a compõe), à luz da Teologia, veio do Papa João Paulo II, em seus pedidos de desculpas por perseguições, abusos, antissemitismo na II Guerra Mundial, entre outros tantos graves deslizes. E por outro lado, deu exemplo com sua nobre atitude de absolvição do agressor que tentou contra sua vida.
  -outro belo exemplo foi o do primeiro ministro da Alemanha, Willy Brandt, há algumas décadas, que ajoelhou-se diante do memorial das vítimas do gueto de Varsóvia, como um dos primeiros dos muito pedidos de perdão da Alemanha, pelo holocausto.



     Libertar-se da raiva, e da sombra mnemônica  dos erros que agridem o tempo todo, transforma o indivíduo  positivamente, não só para as relações humanas, como também para a saúde. A mágoa é uma forte fonte de stress, o qual se desdobra em muitos distúrbios orgânicos.
     Todo mundo deveria ter um cemitério para enterrar as falhas próprias e dos outros.
     Quanto mais cedo perdoarmos, melhor.Tardiamente não tem tanto efeito, mas serve.
     Errar é humano, mas é necessário arrepender-se e corrigir-se. Quando a borracha se desgasta mais do que o grafite do lápis é porque estamos exagerando mesmo!
     Andar com feridas abertas torna a vida um fardo. 


     Ainda há os que dizem que ignorar é melhor ainda.Tornar a ofensa irrelevante simplifica o processo...inteligência pura!  
     Que possamos abrir o coração, sempre e precocemente, à toda forma de compreensão e alívio das culpas.
     Perdão e esquecimento... intenções positivas que salvam pessoas boas e conscientes, dos tormentos e aflições.
     Ter boa qualidade, afinal, depende de relevarmos as más, nossas e dos outros! (CX)

(TEGF)

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